Série Pancs – Pancs nativas e espontâneas na Universidade

Baseado em entrevista dada no 1º Congresso Nacional de Plantas Alimentícias Não Convencionais por Paulo Brack.

Uma abordagem das Plantas Alimentícias da Agrobiodiversidade Nativa e Espontânea na Universidade

Ao trazerem mandioca e milho para serem plantados no campus da Universidade para fins de estudo isso foi visto por alguns como se estivessem tornando a Universidade uma roça.

Se para muitos alimentos já consagrados mundialmente quando plantados em jardins e hortas passam a mudar a visão pública do espaço, imagine o que não acontece quando aquilo que é considerado sem valor, mato, erva-daninha passa a ser valorizado, estudado e cultivado.

Essas são algumas das dificuldades apresentadas pelo Dr. Paulo Brack, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) quanto a inserção ou estudo de plantas não convencionais na Academia.

Percebe ele que muitos do que se vê em paisagens são funcional e paisagisticamente simplificados, extraindo-se de canteiros, jardins e hortas plantas ou ervas (daninhas) com potencial de uso inclusive alimentar. Esse entendimento passa por valores de uma cultura que não promove o estudo e pesquisa daquilo que é autóctone e regional.

Aponta o professor universitário que essa mesma cultura é aquela que exclui plantas e outros alimentos em detrimento daqueles largamente difundidos e comercializados e que direta ou indiretamente apoia a monocultura. E porque não dizer o latifúndio também?

Monocultura

Foi dito por mais de um pesquisador (ver autores em tópico seguinte) a monocultura a médio e longo prazo traria problemas econômicos de mercado, mudanças climáticas, e alterações sociais e culturais.

Essa forma de cultivo e exploração do meio ambiente diminui a capacidade do sistema de responder a situações de estresse, diminui a resiliência da vegetação e do meio ambiente como um todo. Deveria haver a inversão da plantação de commodities para o cultivo de plantas características de ecossistemas locais.

Panc – Plantas Alimentícias Não-Convencionais

O cultivo regionalizado deveria ser incentivado para que se conseguissem desenvolver melhor as plantas nativas em uma região, evitando-se o transporte de plantas muito distintas da região onde se deseja plantá-la.

Valorizar aquilo que é nativo e que tradicionalmente fora e muitas das vezes ainda é utilizado pela população local é um modo de aproveitar econômica e socialmente os recursos de uma região, tornando mais barato o cultivo e a comercialização daqueles produtos regionalmente e também em outras regiões ou países. (não perca artigo seguinte sobre Pancs e comunidades indígenas amazônicas)

Há muitos produtos brasileiros que são comercializados com sucesso em regiões distintas das que a produzem e também no exterior. Dever-se-ia focar mais em:

  • políticas públicas que incentivassem ou possibilitassem o uso e difusão das PANCs, e
  • no compartilhamento de informações acerca desse conhecimento.

Deve haver ação das agências de fomentos de pesquisa para conhecimento das possibilidades do cultivo regionalizado e do potencial das Pancs, redirecionando fontes de recursos de pesquisas para plantas regionais não convencionais, qualidade de vida mais regional, sustentabilidade, etc.

Para isso, conhecer a época de frutificação, florescimento, acompanhamento das plantas nativas é muito bem visto. Grupos multidisciplinares formados para tal exploração e uso desses conhecimentos – e também para a sua geração – incluiriam as áreas de Nutrição, Biologia, Engenheiro Agronômica.

Alguns autores renomados no estudo de plantas alimentícias não convencionais citadas pelo professor Paulo Brack são:

GVC – Grupo Viveiros Comunitários

Na UFRGS há o GVC – Grupo Viveiros Comunitários, cujo nome já define sua função na coletividade. Este grupo é responsável por cartilha sobre hortaliças não convencionais.

Como escrito em seu portal na Internet:

“O Grupo Viveiros Comunitários é um laboratório vivo de mostra de plantas, em sua maioria, nativas do Rio Grande do Sul. Realizam pesquisas e atividades de extensão com plantas alimentícias nativas e tratam também, em palestras e debates, sobre o tema da agrobiodiversidade como elemento importante para a sustentabilidade ecológica.”

  • Endereço do Instituto de Biociências da UFRGS GCV:

https://www.ufrgs.br/biociencias/index.php/extensao/155-grupo-viveiros-comunitarios

  • Endereço do GVC na UFRGS:

https://www.ufrgs.br/viveiroscomunitarios/

  • Endereço virtual para baixar a cartilha:

https://www.ufrgs.br/viveiroscomunitarios/wp-content/uploads/2015/11/Cartilha-15.11-online.pdf

O professor em sua entrevista ainda comenta que praticar a troca de saberes em feiras populares integrando Universidade e comercialização popular é uma boa prática popular e de disseminação do conhecimento. Além disso, também permite que a função pública da Universidade seja realizada ao tornar público e disponível o conhecimento gerado na Academia.

No decorrer do documentário, alunas da UFRGS apresentaram algumas das Pancs cultivadas na Universidade:

  • Physalis
  • Peixinho-da-horta ou pulmonarea
  • Ananás (Ananas bracteatus)
  • Erva-pepino
  • Buva
  • Grande flora
  • Lanterna-japonesa
  • Urtigão-de-baraço
  • Alface do mato
  • Serralha
  • Transagem
  • Begônia (Begonia cucullata)
  • Cacto nopal
  • Bananinha do mato (Bromelia anthiacanta)
  • Araçá
  • Pitangueira
  • Ora-pro-nóbis
  • Pinhão
  • Pepininho-do-mato
  • Melothria cucumis e Melothria penium

***

Autor do artigo: Alexandre Garcia

One thought on “Série Pancs – Pancs nativas e espontâneas na Universidade

  1. Vladimir arruda

    Achei o trabalho de vocês ótimo, tenho curiosidade de saber mais e aplicar em meu trabalho.

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